Tormenta. O maior e mais famoso cenário de RPG do Brasil. Porta de entrada para muitas gerações de Errepegistas no Hobby.

Um cenário mais conhecido pela revista Holy Avenger, baseado em anime, alta magia e leveza, certo? Certo?

Errado.

Pelo menos é isto que tenta mostrar O Inimigo Do Mundo.

O primeiro romance baseado no cenário de RPG, Tormenta, foi lançado em 2006  escrito por Leonel Caldela que não tinha experiencias anteriores como escritor, mas que posso garantir que isto não quer dizer nada.

O livro veio com o objetivo de explicar foi nasceu a principal caracteristica do Cenário. A Tormenta. Uma chuva ácida que traz destruição e demonios.

O livro é muito bem escrito, trás um cenário cru, onde a alta magia do cenário praticamente desaparece, se não fosse pela presença das raças mágicas, como elfos e minotauros, o cenário passaria facilmente como um de baixa magia.

O livro cumpre muito bem um dos objetivos, apresentar Arton como uma terra séria, ao contrário da história de mangá, Holy Avenger pode, superficialmente, ter apresentado. A narrativa de Leonel é cruel, baixa e chega a alguns momentos ser escatólógica e gratuita, algo que muitas vezes pode parecer desnecessário. Na narrativa do autor vê-se que querem tirar este estigma de Arton ser uma terra feliz, por isto a história bate na sua cara no começo ao fim. A forçação de barra da narrativa é o pior defeito do livro para mim, foi o que fez eu menos gostar dele.  Várias vezes quando você ler o livro vai parar com um dedo na linha e pensar, “Porra, precisava mesmo fazer isto?”

Fora isto a narrativa flui muito bem, embora Leonel seja forçadamente escatológico, ele sabe levar muito bem uma história, a narrativa dele flui de uma maneira muito boa, onde você não sente a leitura. A sensação é de estar assistindo um filme na sua cabeça.

Os personagens do livro são um capitulo a parte. Poucos deles vão consquistar seu carisma, eles normalmente representão o que a de podre em um ser humano, não demonstrando escrupulos nas coisas que eles fazem. Sinceramente, foi muito dificil ve-los como um grupo de heróis, talvez um dos motivos de eu não ter gostado dos personagens como grupo seja este. Individualmente, existem muitos clichês de personagem, onde obviamente se sobrepõe aos outros o samurai Masato e a Meia-Elfa clériga Nichaela, além de claro dos deuses do panteão, que deveriam ter participado mais do livro, pois proporcionam as maiores revelações e os melhores dialogos dele.

O segundo objetivo do livro era desvendar o porque da Tormenta ter chegado as terras de Arton. Este objetivo, apesar de ser apresentado como o principal para o livro, é muito mal atingido. Alguns minutos de falta de atenção e você perde qual o motivo dos demonios escolherem Arton como um lugar para dominar.

Por fim, é um livro recomendadissimo, pois a narrativa flui muito bem, mas o estilo de narrativa e a história podem decepcionar um pouco

Para quem quiser conhecer um pouco mais do autor, há uma entrevista que ele deu aqui

A nota final do livro é um 3/6

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