Mais uma da série de entrevistas que o Zach, do blog RPG II esta fazendo com figures chave no desenvolvimento do Pathfinder RPG. Hoje veremos a entrevista com o chefe-mór da Paizo, Erik Mona. Na entrevista o Erik Mona falará um pouco sobre as estratégias de negócio do Pathfinder, futuros suplementos para o jogo e sobre o porquê ele manteve o sistema Vanciano de magias [vulgo Magia por Slots]

– No que implica o seu trabalho no como editor na Paizo?

Eu gerencio a arte e a equipe editorial, faço o calendário de produção [decido quais produtos vão ser feitos] coordenando os orçamentos de publicação, faço numerosas reuniões com a equipe, controlo a maior parte do marketing da companhia, e quebro os crânios que precisam ser quebrados [ocasionalmente incluindo o meu]

– De todas as revistas Dungeon e Dragon que a Paizo publicou, há algum artigo ou série de artigos que se sobressai como seu favorito?

Por todo o curso da minha carreira eu escrevi quase 100 editoriais sobre Dungeons & Dragons, memórias de infância para emitir uma visão geral sobre os leitores na prisão ou o vasto vocabulário compartilhado por aqueles que jogam. Depois das primeiras duas dúzias de anedotas de jogo isto se tornou um desafio dizer qualquer coisa que valha a pena sobre o mesmo tema. Por um tempo eu estava escrevendo mensalmente editoriais para ambas as revistas Dragon e Dungeon, o que significava que eu tinha que trazer artigos com 600 palavras toda semana. Eu penso que eu conduzi alguns realmente bons ao longo de todo este caminho [especialmente um sobre “cachorros explosivos que inspirou um desenho de Tony Moseley].  Como uma série, eu acho que os editoriais são meus favoritos.

No que diz respeito às realizações individuais, eu teria que dizer a Dungeon #112, a obra-prima da “Maure Castle” que me permitiu juntar um time dos sonhos para fazer uma aventura em celebração ao 30º aniversário do Dungeons & Dragons. James Jacobs e eu “reimaginamos” os níveis originais do modulo de AD&D de 1984 “Mordenkainen’s Fantastic Adventure” para a Terceira edição, com contribuições editoriais do Gary Gigax e um novo nível complete da aventura pelo autor original, Robert J. Kuntz. Wayne Reynolds providenciou a capa, e James Ryman fez muitas das ilustrações interiores. Meu grande amigo e colaborador freqüente Sean Glenn fez a direção de arte, que influenciou profundamente o redesign da Dungeons que viria a acontecer duas edições depois. Para melhorar, a revista exibiu o primeiro trabalho de design de Sarah Robinson, a diretora de arte que faria da linha de produtos Pathfinder ter uma aparência tão boa quanto ela tem hoje

Maure Castle é o maior projeto de design de Dungeons & Dragons que eu estive envolvido. Como um feito editorial eu quase não posso acreditar que fomos capazes de lançá-lo

Depois, há a campanha the Age of Worms, um relançamento da Dungeon, minha aventura “The Whispering Cairn, os cavaleiros mortos de Gary Holian e o Vault of The Drow in Dragon do Fred Weining, colocando um modron na capa, o Omega World de Jonathan Tweet, e as 30 Melhores Aventuras de Todos os Tempos da Dungeon.

Eu tenho, muitas, muitas matérias favoritas.

– Vamos passar para o Pathfinder RPG agora. Você o escreveu para as regras das edições 3,0 e 3.5. Como uma continuação da OGL, você vê o Pathfinder sendo mais fácil, mais difícil, ou no mesmo nível de dificuldade para escritores trabalhar? E por quê?

Eu diria a mesma dificuldade em curto prazo, porém mais fácil em longo prazo. As mudanças são fáceis de memorizar, a forma que as pericias tem sido consolidada faz a parte mais difícil do bloco de estatísticas tornar-se mais fácil. Porque há novas opções disponíveis para as classes do personagem isto é sentido como uma marca do novo jogo, que dá alguma energia extra para a sua criatividade. Ao mesmo tempo, as regras são baseadas na 3,5, então elas continuam sendo flexíveis para suportar qualquer tipo de jogo.

 

– Houve algum pensamento em tornar a Pathfinder uma revista online como nós temos visto acontecer com a Dungeon e a Dragon?

 

 

Não. Enquanto a Paizo oferecer versões em Pdf de todos os seus produtos Pathfinder, nós somo em primeiro momento uma editora de impressos.

– Quão importante é a saturação das redes varejistas para o sucesso do Pathfinder? Nós seremos capazes de encontrar facilmente na Borders, Book-a-Million, ou Barnes & Noble?

Todas estas redes tem pegado os volumes do Pathfinder Adventure Path em um momento ou outro desde que o lançamento dos produtos, mas a alta circulação de lançamentos mensais faz isto um pouco difícil para as redes manterem uma série inteira de livros no estoque. As lojas maiores tendem a se concentrar a grandes lançamentos como Livros de Regras. O Pathfinder Chronicles Campaign Setting e o amplamente concentrado livros da Pathfinder Chronicles como o Classic Monsters Revisited são muito populares nas lojas das redes varejistas. Mas as lojas da rede correm o risco de retornar, o que não é o caso com as vendas diretas ou as vendas dos jogos para as comic book shop, que compram seu produto sem qualquer ressalva.

Nós precisamos de todas as três: Vendas Diretas, Vendas das Lojas de Hobbies, e as vendas das lojas de massa, para podermos continuas a produzir produtos com altos valores de produção que os consumidores da Paizo esperam.

O interesse em um vindouro Pathfinder Roleplaying Game Core Rulebook é fenomenal em todas as etapas do sistema de distribuição, então eu imagino que vocês encontraram o livro principal e o Bestiário pelo menos, nas mais diversas lojas.

– Agora que os Playtests abertos das versões Alpha e Beta estão ambos oficialmente fechados, você pode olhar para trás e ver qualquer coisa que você teria feito de forma diferente? Eu sei que a Paizo encerrou o playtest com muitos mais downloads das versões de teste do Pathfinder do que se pensava que seriam feitos. Qual foi ao tipo de reação na Paizo quando se ficou claro que havia um alto nível de interesse rolando?

Gostaríamos de não ter deixado que nossa confiança que a 4ª edição teria um Open Game License sensata em uma quantidade razoável de tempo para que pudéssemos decidir o que fazer com a nossa linha principal. Eu sou 100% confiante que continuar com a 3,5 foi a decisão correta para nossa companhia, mas os meses de inútil espera poderiam ter sido ocupados com o playtest. Quero dizer, eu sou muito agradecido que isto tenha se tornado o maior playtest aberto na história dos RPGs de mesa. Nós estamos maravilhados com o nível de interesse no Pathfinder RPG, então é difícil ver o que nós havíamos feito com um olhar demasiadamente critico.

– Eu sei que você tem perguntado para os fãs sobre qual espécie de suplementos eles gostariam de ver, porém quais suplementos você acha que seria divertidos para se fazer com o Pathfinder?

Eu não quero ir longe mais com meus pensamentos, mas eu acho que seria divertido ver as regras do Pathfinder RPG aplicadas em um contexto de ficção cientifica. Isto poderia estar no alcance de algo simples como uma exploração dos Planetas Red e Green das estrelas de Golarion com regras para o gênero “sword & planet” algo de uma campanha padrão para o Pathfinder para algo cheio de ambições como um cenário completo de ficção cientifica com regras para toneladas de armas laser e coisas deste tipo.

Existem poucos livros de “texto padrão” [N.T. boilerplate no original] que as pessoas querem que façamos e os quais nós deveríamos provavelmente fazer, como um livro de fantasia Asiática ou alguma espécie de Livro dos psionicos ou um livros dos níveis épicos. Nenhuma destas idéias me faz me tornar uma supernova de entusiasmo, ambos por que eles já tem foram feitos várias vezes antes e por que eu não tenho tido muito uso para eles em meus próprios jogos. Eu não estou dizendo que são idéias ruins para livros, mas o tipo de coisa que faz meu sangue ferver é muito mais na linha dos livros de regras que se constroem estão travados grosseiramente com um poderosa cola.

Por exemplo, eu estaria menos interessado em um livros dos níveis épicos do que eu estaria em um altamente focado em um sobre um segmento de níveis [digamos 10-15], com muitas regras apropriadas para campanhas naquele nível.
Várias informações sobre mercenários e como conseguir fama, influencia, nobreza e esconderijos e este tipo de coisa. Eu também acho que o livro poderia incluir uma quick-start das regras explicando como construir um personagem de nível alto nos termos mais simples possíveis. Material que expande os meus usos do livros básico colhe meus favores muito mais facilmente do que subsistemas, novas formas de magia e transformar-se em deus.

 – Nós veremos um “Pathfinder Basic” ou um Boxed Set como um produto introdutório ou especial?

Se o Pathfinder Roleplaying Game Core Rulebook vender muito bem, alguma coisa assim estará nos nossos planos. Eu adoraria uma versão “básica” do jogo, eu não ficaria tão embaraçado para pedir para minha namorada e a outro amigo-não-tão-nerd a Le-lo e construir um personagem. Seria tão incrível quanto eu acho que o Pathfinder RPG é não há dúvidas que ele é intimidador para aquele que nunca jogou RPG anteriormente.

– Eu li recentemente no fórum da Paizo que você havia interpretado um Bárbaro, uma das classes que parece ter mudado consideravelmente para a versão final do jogo. Como a classe se comporta no jogo, e se nós pedirmos com carinho, você pode talvez dar uma palinha de alguma coisa de novo que nós veremos no Bárbaro?

Bem, sua informação esta um pouco errada, como nós nos reunimos apenas uma vez para criar os personagens eu ainda não joguei com ele. E nunca joguei com um bárbaro antes em qualquer momento em qualquer edição do jogo, então todos os poderes são completamente novos para mim agora. Eu tenho acesso, começando no 2 nível, a um grande número de “Poderes de Fúria” [Rage Powers] que incluem coisas desde ficar com visão na penumbra enquanto estou furioso, um grandioso que me dá ataque de mordida, e algumas poucas habilidades táticas. Um grande número destes aparece apenas em níveis altos, e eu posso dizer que estou começando a gostar de pensar sobre quais deles usar e quando usá-los. Eu posso dizer que os meus talentos escolhidos com os meu primeiros dois níveis foram Endurance e Die Hard e com eles eu posso ir a até -19 pontos de vida quando estou em fúria sem perder a consciência e eu automaticamente fico estável quando estou abaixo de 0 pontos. É por isto que eu estou chamando meu bárbaro de Ostog The Unslain [Ostog o “Imatavel”]

Mas eu sou fácil de impressionar. Eu continuo animado que eu tenho d12 como Dado de Vida!!

 – Quais são a seu ver os pros e contras em manter o sistema Vanciano [por slots] de Magia no jogo?

As bases do jogo nas tradições da fantasia pulp que inspirou isto em primeiro lugar. Após três décadas apresentando a magia desta forma, pareceria ridículo para todos se de repente fosse dito que isto não existe mais. Você pode construir outros sistemas de magia informais sem sacrificar o principal elemento fantástico do jogo, então por que se incomodar?
Por mais que você corte as amarras o jogo tem as tradições pulp que o inspiraram, por mais que isto se assemelhe ao mesmo. Isto é parte da língua franca do jogo, e tem sido visto deste o começo. É uma característica e não uma falha

Se livrar do sistema Vanciano do Pathfinder RPG nunca esteve na pauta.  Isto seria como demolir o sistema de alinhamento. Algo que Não Irá Acontecer.

– Golarion [o cenário padrão de Pathfinder] soa como se fosse um projeto que tomou quase todo mundo no escritório da Paizo. Qual foi seu aspecto ou região do mundo favorita, e porque as pessoas situariam suas campanhas nele? 

 

Meu aspecto favorita do mundo na verdade faz esta uma questão difícil de responder. Quando nos sentamos para criar Golarion, nós começamos pensando sobre todos os tipos de campanha que as pessoas gostariam de jogar. Alguns Mestres gostam da pura exploração de mega masmorras, então tínhamos que acomodar isto. Outros queriam uma Guerra “quente”, então nós tivemos certeza de incluir algumas ares com conflitos ativos. Quer um jogo cheio de intrigas políticas? Tente as cortes decadentes de Taldor, ou o diabólico império de Cheliax. Quer explorar um lugar selvagem?  A Mwangi Expanse espera. Pirâmides? Vikings? Alguma coisa mais de vanguarda? Macabra? Golarion foi desenvolvido para acomodar todas estas campanhas e outras mais.

Mas se você me perguntar, uma das melhores nações é a Numéria, que foi meu tribute para “Expedition to the Barrier Peaks” do Thundarr o Bárbaro.

– Eu sei que, como eu, você é um fã de Greyhawk [Sem dizer um dos seus mais talentosos contribui dores]. Em um mundo perfeito, se Erik Mona de alguma forma acabasse com os direitos de Greyhawk, o que você gostaria de publicar para ele? Qual era você usaria?

Eu estou muito mais interessado em Golarion e no Pathfinder RPG do que estou em Greyhawk ou a sua interação atual com Dungeons & Dragon. Eu fui capaz de coordenar o Living Greyhawk Gazetter, co-lançar Living Greyhawk, editar dúzias e dúzias de artigos sobre Greyhakw, e mesmo tido a chance de participar no desenvolvimento de próprio Castle Greyhawk. Francamente, não há uma coisa que eu não quisesse fazer no cenário que eu já não tenha feito. Eu estou satisfeito em deixa outra pessoa ter a sua vez.

Quero dizer, eu acho que o mais necessário é dar uma olhada nas 128 páginas do Domain of Greyhawk, cheios de lugares com aventura que poderiam ser separadas em módulos de aventuras. As pessoas precisam ser reintroduzidas ao cenário, isto é suficiente para dar as pessoas o gosto da essência sobre o que o cenário se trata. Pessoalmente, eu sou a favor que a linha do tempo seja incorporada ao desenvolvimento do que eu já contribui para o cenário, então eu gostaria que o ano corrente do jogo fosse a La A campanha The Living Greyhawk, que seria o ano de 599, eu acho. Há alguma coisa de sexy na marca ANO 600.

– O que você acha que faz Greyhawk durar como o cenário de tantas pessoas, apesar de sua difícil história com a TSR e a WotC?

Seu espírito entrelaçados com a primeira versão do AD&D, por que ambos são do  mesmo criador. Que o jogo foi um marco comum para todos os jogadores durante o auge da popularidade de D&D nos anos 80, então ele é a o cenário icônico da versão mais icônica do jogo, a versão da primeira campanha caseira do criador. Adicione o fato que os atuais maiores fãs de D&D descobriram o jogo enquanto eles eram crianças ou adolescentes, e você tem um pouco de nostalgia, o que nunca machuca ninguém. Mas Greyhawk ganhou muita popularidade na última década como o cenário da maior campanha organizada de RPG do mundo, a Livig Grayhawk, então apenas nostalgia não é a causa de sua moderna popularidade.

Para os fãs novos e velhos de maneira parecida, uma coisa que separa Greyhawk dos outros é que o cenário é associado primeiramente com AVENTURAS e não com romances ou grandes livros de história e continuidade. Eu acho que a maioria das pessoas gostam de Greyhawk porque ele é onde elas se aventuraram no Temple of Elemental Evil ou lutaram Against The Giants ou os Descended into the Depths of The Earth. Memórias do cenário entrelaçadas com memórias da experiência de jogo, o que fortalece os laços.

 – Você tem escrito ou contribuído com uma grande pilha de livros durante todos estes anos. Qual deles é o seu favorite e por quê?

Eu tenho que dizer que provavelmente é um empate entre o Pathfinder Chronicles Gazetter que foi o primeiro a definir Golarion e o livro para Mutantes e Malfeitores CROOKS!, que foi desenvolvido e escrito por mim e meus melhores amigos Sean Glenn e Kyle Hunter. Ambos os livros ganharam o ENnies, o que é uma bela confirmação do meu gosto impecável.

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O Área Cinza fez uma análise bacana de algumas partes da entrevista do Erik Mona.

Não deixe de conferir as outras duas entrevistas com a equipe da Paizo:

James Jacob, o Editor Chefe do Pathfinder

Jason Bulhmann o Designer do Pathfinder

 

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