” Tiros. Finker odiava tiros, eles sempre faziam-no perder a concetração e errar um linha de comando.

– Filho da Puta!! – grita Landar, seu companheiro de equipe.

– Ô Fil!! Anda rápido com estes códigos de comando!! Estas merda de balas estão chegando cada vez mais perto – diz Landar enquanto descarrega sua metralhadora

– Relaxa, Lan. Falta só mais alguns poucos e….acesso confirmado. Chupa Raya Tech!!!

– Caralho!!  – Grita Landar em meio a uma chuva de balas – Copia logo esta porra!!

– Beleza é só pegar o pendrive e …opa…

– Caralho!! Opa?Isto é hora pra opa?

 – Lan, esqueci o pendrive….”

Quem nunca passou por uma situação destas? Troque as balas e a invasão, por um professor estressado e uma apresentação. A pergunta é: Seus personagens já passaram por isto? E porquê?

O RPG é um jogo de aventuras fantásticas, deuses mortos, dragões adormecidos, anéis de invisibilidade e outras centenas de coisas que adoramos matar, destruir e salvar, não respectivamente. Porém o que fazer quando os heróis não estão em aventuras? Um salto temporal direto para a próxima? Uma mini aventura?

Eu prefiro uma abordagem cotidiana, levar o grupo de volta para as familias, um passeio pela cidade e pequenas coisas acontecendo. Após a derrota da horda globinóide que ameaçava o vilarejo, nada melhor que um passeio com os filhos/esposa/namorada/amigo, até a taverna pode ficar mais interessante se ao invés de uma briga, um flerte com a atendente ou uma pequena discussão com o taverneiro sobre o verdadeiro motivo dele ficar a todo momento enxugando aquela maldita caneca.

E por que fazer isto? Vocês podem estar pensando. Se perde tempo de jogo e de aventura. Eu prefiro pensar que se ganha profundidade fazendo isto.  Os jogadores começam a gostar mais dos personagens se eles tem um motivo para voltar para casa, ou se eles tem uma casa.

Além que, estes momentos são bem divertidos e passam o clima de calmaria antes da tempestade. Quando problemas surgem após uma época de tranquilidade eles são sempre maiores do que realmente são.

Em uma campanha de Tormenta, dois personagens estudavam na Academia Arcana, as aventuras eram pesadas e sempre sobravam cicatrizes, Pcs mortos e maldições, então quando voltavamos para a Academia Arcana, o mestre com as aulas de Necromancia e o maior estilo Harry Potter eram sempre um alivio para a tensão, sempre tinha muita comédia.

O outro contraponto é: nós nos esquecemos de pequenas coisas. No jogo, afiar as armas, comprar as roupas, fazer a barba são coisas muito pequenas perante a uma campanha, mas sempre dão um gosto a mais ao jogo. Além de poder ferrar os personagens 😀

Dependendo do estilo da minha campanha, afiar as armas, contar dinheiro e dormir são coisas que chegam a ser cruéis.  Armas que enferrujam, aumento de preços por culpa da aparencia esfarrapada e personagens na mão por terem esquecido a algibeira são frequentes e adicionam uma maior verossimilhança as aventuras.

Lembro uma vez que os personagens foram dormir na floresta sem nenhum treinamento em sobrevivência. Resultado diarréia por plantas “venenosas” e noites má dormidas por culpa da armadura. Isto em uma época onde estas coisas não eram citadas nos livros básicos [era uma campanha de 3D&T] somente com o bom-senso.

Pense então em cobrar o personagem de passar óleo no seus corselete de couro, ou ele perderá a sua capacidade de absorver dano. Com certeza ele começará a ir a uma loja de armas para comprar óleo com maior frequencia, o que pode gerar algumas idéias de aventura.

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